Benebeanos dizem não ao retrocesso: bancários do Nordeste se unem em defesa da PLR e dos direitos conquistados

A força da mobilização tomou conta das agências do Banco do Nordeste nesta quinta-feira (23). Em um movimento unificado em toda a região, empregados da instituição foram às ruas para enviar um recado claro à direção do banco: direitos conquistados ao longo de anos de negociação não serão retirados sem resistência

 

Em Alagoas, a manifestação concentrou-se na agência Centro, em Maceió, onde os funcionários e funcionárias realizaram uma paralisação parcial das atividades. A mobilização, no entanto, ultrapassou a capital chegando em todas agências do estado. Empregados do Banco do Nordeste atenderam ao chamado do Sindicato e vestiram preto em protesto contra qualquer tentativa de retirada de direitos, transformando a adesão da categoria em uma demonstração de unidade e indignação em defesa da PLR e das conquistas históricas dos trabalhadores.

Com faixas, carro de som, distribuição de informativos e vestidos de preto, os trabalhadores transformaram o protesto em um símbolo de indignação diante da possibilidade de mudanças no modelo de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), considerado uma das principais conquistas da categoria.

A mobilização ocorreu após a segunda rodada de negociação específica da Campanha Nacional, realizada em 9 de julho. Na ocasião, o Banco do Nordeste informou que a excepcionalidade que garantiu uma distribuição maior da PLR em 2024 e 2025 ainda não está assegurada para este ano, abrindo espaço para um possível retorno ao modelo anterior.

A preocupação dos empregados é concreta. Caso a excepcionalidade seja retirada, a redução na distribuição da PLR poderá ultrapassar R$ 100 milhões, afetando diretamente milhares de trabalhadores e refletindo também na economia das cidades onde o Banco do Nordeste está presente.

Para o presidente do Sindicato Thyago Miranda, a excepcionalidade da PLR não representa um benefício concedido pela instituição, mas o resultado de quase duas décadas de mobilização e negociação coletiva. "Essa excepcionalidade não surgiu como um benefício concedido pelo banco. Ela é resultado de anos de diálogo, mobilização e negociação coletiva dos trabalhadores. Foi uma conquista construída com muita luta pelo funcionalismo do BNB e representa o reconhecimento da contribuição dos empregados para os resultados da instituição. O Banco do Nordeste não pode caminhar na contramão de uma conquista que já é realidade para trabalhadores do Banco do Brasil e da Caixa Econômica há mais de uma década. Não aceitaremos qualquer tentativa de retrocesso em direitos construídos pela categoria".

O modelo atual de distribuição da PLR foi consolidado após 19 anos de mobilização do funcionalismo, que conquistou a ampliação da participação vinculada aos dividendos e aos juros sobre capital próprio. Para os empregados, trata-se de um reconhecimento pelo desempenho de quem contribui diariamente para os resultados do banco e para o desenvolvimento econômico do Nordeste.

Durante o ato, a unidade dos trabalhadores foi um dos principais destaques. A mobilização simultânea em diversos estados mostrou que a defesa da PLR ultrapassa a questão financeira e representa a preservação de direitos construídos coletivamente ao longo da história da categoria.

Segundo Thyago Miranda, a expressiva participação dos empregados reforça que o funcionalismo permanece atento e disposto a defender cada conquista.  "A mobilização desta quinta-feira mostrou que os empregados do Banco do Nordeste conhecem a importância da organização coletiva. A PLR que existe hoje é fruto de muita luta e simboliza o reconhecimento de quem faz o banco acontecer todos os dias. O Sindicato continuará ao lado da categoria para impedir qualquer retrocesso e garantir que os direitos conquistados sejam preservados".

Os trabalhadores defendem a manutenção do atual modelo de PLR, com a garantia do limite individual de sete remunerações, pagamento no primeiro dia útil após a divulgação do balanço, distribuição de até 75% dos dividendos e dos juros sobre capital próprio e a preservação da PLR Social linear correspondente a 7% do lucro.

A forte participação dos funcionários reforçou uma mensagem que ecoou em todas as unidades do Banco do Nordeste: conquistas históricas não são negociadas para trás. Quando direitos são ameaçados, a resposta da categoria continua sendo a mesma que marcou sua trajetória: unidade, organização e luta.

O próximo capítulo dessa disputa será nesta quinta-feira (23), durante a nova rodada de negociação da Campanha Nacional com a direção do Banco do Nordeste. Alagoas estará representada pelo diretor Iury Filgueira, que participará da mesa de negociação defendendo a manutenção do atual modelo de PLR e a preservação dos direitos conquistados pelos empregados.

 

 

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