93 anos de história: um Sindicato construído na luta dos bancários e das bancárias de Alagoas
Fundado em 20 de setembro de 1933, o Sindicato chega aos 93 anos com uma trajetória marcada por resistência, organização, conquistas e defesa da categoria e da democracia
Há histórias que não são feitas apenas de datas. São construídas por pessoas, por escolhas e, principalmente, pela disposição de lutar quando resistir significa enfrentar dificuldades.
É assim que o Sindicato chega aos seus 93 anos neste 20 de setembro. Fundado em 1933, ainda com o nome de Sindicato dos Bancários de Maceió, a entidade atravessou diferentes períodos da história do país e de Alagoas sem abandonar sua principal razão de existir: organizar os trabalhadores e defender seus direitos.
Ao longo dessas nove décadas, a história da entidade se mistura à própria história da categoria bancária. Greves, campanhas salariais, mobilizações, enfrentamentos contra demissões, defesa dos bancos públicos e luta por melhores condições de trabalho fazem parte dessa trajetória.
Mas houve um período em que organizar trabalhadores significava também enfrentar o autoritarismo.
Quando lutar era também resistir
Com o golpe militar de 1964, o Sindicato sofreu intervenção, teve sua direção destituída e passou a ser controlado por uma junta interventora. Dirigentes e trabalhadores foram perseguidos, enquanto a ditadura tentava sufocar a organização sindical e a participação política da categoria.
Entre os perseguidos estava Roland Bittar Benamour, que presidia o Sindicato e foi preso após o golpe. Sua trajetória passou a fazer parte da memória de resistência dos bancários alagoanos.
A trajetória de resistência e reintegração também está presente na história de Eliezer Lira, do Banco do Nordeste. Reintegrado na década de 1980, Eliezer integra o grupo de trabalhadores que tiveram suas trajetórias profissionais interrompidas pela ditadura e posteriormente reconhecidas com a reintegração ao banco.
Outro nome que permanece como símbolo desse período é o de Petrúcio Lages, bancário do Banco do Nordeste, preso em 1964 e demitido durante a ditadura. Décadas depois, sua luta resultou na reintegração ao banco. Sua história foi registrada pelo Sindicato no documentário Petrúcio Lages, o bancário que não se rende.
A repressão tentou calar a organização dos trabalhadores. Não conseguiu.
Após anos de resistência e reorganização, os bancários retomaram o comando do Sindicato em 1984. A retomada abriu uma nova etapa de mobilização, com greves, campanhas salariais e enfrentamentos em defesa dos direitos da categoria.
Conquistas que nasceram da mobilização
Nenhuma conquista chegou pronta.
A jornada de seis horas, o piso salarial, a gratificação de caixa, os aumentos reais, a participação nos lucros, a licença-maternidade de 180 dias e avanços nas condições de trabalho são resultado de décadas de organização e mobilização dos trabalhadores bancários.
Em Alagoas, o Sindicato também esteve na linha de frente da defesa dos bancos públicos, dos empregos e do papel social dessas instituições. A luta contra privatizações, processos de desmonte e ameaças aos trabalhadores faz parte dessa história.
São diferentes momentos e diferentes batalhas, mas com a mesma essência. A organização coletiva como instrumento para conquistar direitos e enfrentar injustiças.
Hoje, os desafios mudaram, mas a necessidade de organização permanece.
As bancárias e os bancários enfrentam metas abusivas, pressão por resultados, sobrecarga de trabalho, adoecimento, terceirização, ameaça ao emprego e ataques aos direitos conquistados. Ao mesmo tempo, continua sendo fundamental defender os bancos públicos e seu papel social, especialmente para a população que mais depende dos serviços financeiros.
Se no passado a categoria precisou enfrentar a repressão e a intervenção sindical, hoje enfrenta novas formas de pressão e ataques aos direitos. Em comum, permanece a necessidade de resistência, mobilização e unidade.
Os 93 anos do Sindicato não são apenas uma celebração do passado. São a memória de quem lutou antes e o compromisso com as lutas que ainda virão.
É lembrar Roland Benamour, Petrúcio Lages, Eliezer Lira e tantos outros trabalhadores que enfrentaram perseguição. É reconhecer quem esteve nas greves, nas assembleias, nas negociações e nas ruas. É valorizar cada bancária e cada bancário que ajudou a manter viva a organização da categoria.
Neste 20 de setembro de 2026, o Sindicato celebra 93 anos de uma história construída por muitas mãos.
Uma história de resistência, conquistas e enfrentamentos.
Uma história que não terminou.

