Lucro bilionário não cala os bancários: categoria reage e vai à luta contra o Bradesco
Dia Nacional de Luta mobiliza trabalhadores em todo o país contra demissões e fechamento de agências; em Alagoas, Sindicato paralisa unidade do Centro e mostra a força da categoria
Enquanto o Bradesco comemora lucro líquido recorrente de R$ 13,861 bilhões no primeiro semestre de 2026, os bancários enfrentam demissões, redução das equipes, fechamento de agências e aumento da pressão por metas. A contradição foi denunciada nesta terça-feira (11), durante o Dia Nacional de Luta contra os cortes promovidos pelo banco.
Em Alagoas, o Sindicato esteve junto aos trabalhadores e levou o protesto às ruas de Maceió. Na agência do Centro, as atividades foram paralisadas até as 12h, em um ato contra a redução de postos de trabalho e o fechamento de unidades.
A mobilização integrou a jornada nacional da categoria e reforçou que, diante dos ataques aos empregos, os bancários respondem com organização e resistência.
Para o presidente do Sindicato Thyago Miranda, a paralisação demonstra a disposição dos trabalhadores para enfrentar a política de cortes. "Hoje, os bancários de Alagoas mostraram que não vão aceitar essa política de demissões e fechamento de agências. A nossa paralisação mostra a força da categoria e deixa claro que estamos organizados e dispostos a lutar. Quando mexem com o emprego e com as condições de trabalho, a resposta vem da mobilização", afirmou.
A mobilização acontece durante a Campanha Nacional dos Bancários 2026, quando a categoria negocia melhores condições de trabalho, valorização profissional, proteção à saúde e respeito aos direitos conquistados.
Os próprios números divulgados pelo Bradesco expõem a contradição. O banco registrou R$ 13,861 bilhões de lucro líquido recorrente no primeiro semestre, alta de 16,2% em relação ao mesmo período de 2025. Foi o décimo trimestre consecutivo de crescimento do lucro.
Apesar disso, em 12 meses foram eliminados 2.448 empregos. Ao final do primeiro semestre, o banco contava com 79.699 funcionários, sendo 67.954 bancários. A rede física também encolheu: 324 agências foram fechadas apenas nos primeiros seis meses do ano, enquanto a instituição ampliou sua base em cerca de 300 mil clientes, chegando a 110,4 milhões.
Mais clientes, mais lucro e menos trabalhadores para atender uma demanda que continua crescendo. O resultado é o aumento da sobrecarga, da cobrança por metas e da pressão sobre os bancários.
A população também sofre com o fechamento das agências, especialmente quem ainda depende do atendimento presencial para resolver demandas que não podem ser solucionadas pelos canais digitais.
Para Thyago Miranda, os resultados do banco mostram que há condições para preservar empregos e melhorar as condições de trabalho. "Não existe justificativa para demitir trabalhadores enquanto o banco anuncia bilhões em lucro. O Bradesco tem condições de contratar, valorizar seus funcionários e manter uma rede de atendimento que respeite bancários e população. Não aceitamos que o lucro esteja acima dos empregos e da dignidade de quem sustenta diariamente o funcionamento do banco", destacou.
O Sindicato seguirá ao lado dos trabalhadores, cobrando do Bradesco respeito aos empregos, melhores condições de trabalho e uma política de atendimento que não abandone bancários nem clientes.


