BNB traz informação preocupante sobre acordo de PLR durante 2ª rodada de negociação
Impasse sobre a manutenção da regra de distribuição da PLR marcou a segunda rodada de negociações da Campanha Salarial 2026 entre o Comando Nacional dos Bancários e o Banco do Nordeste, gerando preocupação das entidades sindicais contra este retrocesso nos direitos da categoria
Na última quinta-feira (09/07), na sede administrativa do Passaré, o Comando Nacional dos Bancários, assessorado pela Comissão Nacional dos Funcionários do BNB (CNFBNB), se reuniu com a direção do Banco do Nordeste, para a segunda rodada de negociações da campanha salarial 2026, que está na sua fase final de apresentação das propostas e cobrança de uma contraproposta patronal. Na pauta estavam a discussão das cláusulas de saúde/previdência e as cláusulas sociais.
Durante as negociações o Banco anunciou uma questão muito preocupante: a excepcionalidade que possibilitou a distribuição de 48% do montante da PLR em 2024 e 2025, que é uma conquista histórica do funcionalismo após 19 anos de luta , não está autorizada até agora para este ano. Segundo o Banco, as negociações teriam recomeçado do zero e a direção está tentando a autorização para o acordo de PLR a ser renovado neste ano.
O representante do Comando Nacional na mesa e presidente da Fetrafi/NE, Carlos Eduardo, enfatizou que a reivindicação do funcionalismo é de manutenção dos direitos conquistados no acordo atual e vê essa informação com muita preocupação: "isso vai gerar muita indignação dos funcionários. O que está na nossa minuta, cujas cláusulas econômicas ainda serão levadas a debate nas próximas rodadas de negociação, é a ampliação do teto de distribuição do montante e não está nas nossas perspectivas a redução do mesmo. Queremos construir um acordo que traga conquistas e garanta os direitos dos trabalhadores. Não aceitaremos retrocessos", enfatizou.
Iury Filgueira, diretor do Sindicato dos Bancários presente na reunião, enfatizou que a manutenção das regras atuais da PLR é uma questão de respeito aos direitos conquistados pelos funcionários do Banco do Nordeste após anos de mobilização. "Não aceitaremos qualquer tentativa de retrocesso. O momento é de avançar nas conquistas, garantindo uma distribuição justa e valorizando quem contribui diariamente para os resultados do Banco", apontou o dirigente.
O Banco informou que está envidando esforços para manter as regras de distribuição como estão dispostas no acordo atual, e enfatizou novamente que ainda não tem esta autorização, mas também não poderia deixar de informar este impasse para as entidades representativas dos funcionários, de acordo com o princípio da boa-fé negocial.
"Essa excepcionalidade do acordo de PLR foi uma conquista histórica dos funcionários do BNB e já é aplicada há mais de uma década para os funcionários do BB e da Caixa. Não se justifica um tratamento diferente para o funcionalismo do BNB. Essa conquista precisa ser assegurada. Vamos nos mobilizar e organizar um Dia Nacional de Luta em defesa da nossa PLR. Precisamos intensificar nossa mobilização porque agora ficou realmente claro que nada é dado, tudo é conquistado com muita luta", apontou o coordenador da CNFBNB, Robson Araújo.
PCR
O Banco trouxe ainda um impasse quanto ao andamento das negociações para a aprovação da proposta enviada ao Ministério da Fazenda para o novo Plano de Cargos e Remuneração (PCR). O Banco destacou que, segundo a CGPAR 52, o item que prevê o Adicional por Tempo de Serviço (ATS) é proibido pela norma e não poderá constar da proposta do PCR. Dessa forma, esse item teria que ser retirado. A Comissão Nacional informou que esse benefício já existe no plano atual e o impacto da retirada desse item ainda precisa ser debatido. O assunto deve voltar à mesa na próxima rodada de negociação.
Camed
O coordenador da Comissão Nacional, Robson Araújo, destacou algumas prioridades à saúde dos funcionários, como a reivindicação do Banco arcar com 70% do custeio da Camed, além da ampliação do atendimento do plano através de convênios, Plano Natural após a aposentadoria e fornecimento de medicamentos de uso contínuo de forma gratuita. A CNFBNB solicitou ainda que o reajuste do plano seja realizado apenas uma vez ao ano e num valor equivalente ao reajuste da categoria, pois os reajustes sucessivos têm corroído o salário dos funcionários. O Banco ficou de avaliar as reivindicações.
Capef
A representação do funcionalismo pediu a reformulação do plano BD e reabertura de prazo para adesão do plano BD ao CV-I. O Banco informou que tinha uma proposta para a Capef, inclusive com a adoção de um piso mínimo para os associados, mas não houve avanço.
"Nós queremos solução previdenciária. As entidades representativas estão abertas a propostas e ao processo negocial, mas queremos enfatizar que são os sindicatos os representantes legais do funcionalismo. Isso garante segurança jurídica ao processo negocial", destacou Carlos Eduardo. Ele enfatizou ainda que "as entidades sindicais respeitam a autonomia e liberdade dos associados, mas queremos uma solução decorrente da relação sindical para atender as demandas apresentadas durante o Congresso Nacional dos Funcionários e que compõem a nossa pauta de reivindicações".
O Banco ficou de analisar ainda os temas referentes à Capef que não forem objetos de ação judicial e reforçou que tem total interesse em encontrar uma solução segura e coerente para o plano de previdência.
O coordenador da CNFBNB, Robson Araújo, apresentou ainda a reivindicação para que o funcionário possa ajustar sua contribuição a qualquer tempo e que o Banco contribua paritariamente de acordo com esse ajuste. Além disso, o dirigente questionou a taxa de carregamento que também tem onerado o funcionalismo. A CNFBNB propõe que ela seja restrita a 1% das contribuições mensais. O Banco destacou que esta taxa já vem sendo reduzida ao longo do tempo.
As entidades destacaram ainda a preocupação com a gestão dos planos diante da sanha financeira do mercado. A Comissão sugere criar mecanismos de proteção que impeçam que a gestão dos planos possa ser repassada a terceiros.
"Precisamos defender o patrimônio dos funcionários do BNB, pois já existem até projetos de lei que avaliam a possibilidade de abrir a gestão dos fundos de previdência. Precisamos fortalecer nossa governança”;, destacou a representante do Ceará na CNFBNB, Carmen Araújo.
Pautas sociais
A Comissão Nacional reconhece que a redução da jornada para os pais com filhos PCD’;s e neurodivergentes foi uma inovação importante, mas solicitou que essa redução seja feita por semana, e não por dia como é atualmente, para possibilitar uma melhor adequação aos tratamentos e terapias dos dependentes ou do próprio funcionário. O Banco ficou de analisar.
A Comissão cobrou também o aumento de credenciamento médico especializado para esse público. O Banco esclarece que em casos de não haver credenciados, a Camed já tem um programa que faz ressarcimento integral para quem tiver que pagar tratamento particular, mas ficou de avaliar a reivindicação.
A CNFBNB pede também que, quando o funcionário de 6h for substituir um de 8h, a redução de jornada dele também seja automaticamente migrada para 2h diárias como os funcionários da jornada de 8h têm direito, pois muitos funcionários acabam não aceitando a substituição por conta disso.
Além disso, o funcionalismo pede ainda um auxílio dependente com deficiência no valor de um salário mínimo e que o Banco faça as adequações necessárias nos ambientes de trabalho para acolhimento de funcionários PCD’;s e neurodivergentes.
Com relação aos funcionários que tem diagnóstico ou são pais de filhos diagnosticados com TDAH, que estes também tenham o mesmo tratamento dados às deficiências, incluindo a concessão de benefícios, como auxílio e redução de jornada. O BNB seria pioneiro na implantação dessa política.
A Comissão Nacional cobrou também uma devolutiva sobre as políticas voltadas ao público LGBTQIAPN+, com destaque às pessoas transgênero. O Comando Nacional enfatizou o repúdio à discriminação e a luta pelo respeito dentro das unidades bancárias, destacando ainda que esse princípio já está clausulado na nossa CCT e cobrou o Banco sobre as providências tomadas para cumprir a Convenção, como canais de denúncias, canal de apoio, acompanhamento e medidas de inclusão para funcionários transgênero.
O Banco informou que a partir dos grupos focais realizados no ano passado, coletou informações e demandas e elaborou um plano de ação para esse grupo no sentido de combate ao preconceito e incentivo à inclusão. Além disso, são realizados periodicamente treinamentos e outros eventos com gestores voltados ao letramento e ao acolhimento e que há também um canal de denúncias para casos de assédios.
O Comando solicitou ainda que, nos casos de processos de adoção, o banco possa abonar as horas utilizadas para entrevistas e trâmites legais necessários para a adoção.
Com relação às ausências abonadas, a Comissão Nacional destacou alguns avanços possíveis, como ampliação para 12 dias para acompanhar filhos de até 18 anos em todas as especialidades de profissionais de saúde; descanso remunerado de 60 dias para mulher em caso de aborto/natimorto e oito dias para o funcionário pai e 08 dias por ano para consultas médicas (pré-natal) para grávidas.
A CNFBNB solicita ainda a ampliação da licença paternidade para 30 dias.
Devolutivas
No caso da mudança de critérios para descomissionamentos, cobrada na reunião passada, o Banco se comprometeu que, antes da divulgação do ato, será feita uma dupla checagem pelo ambiente de Desenvolvimento Humano (DH), para que o processo seja finalizado com segurança. O Banco se comprometeu também a divulgar em sua intranet um relatório mensal sobre as remoções, dando mais transparência nas movimentações realizadas no período.
Pelo Banco, o diretor Leonardo Cruz participou da negociação, além da superintendente de DH, Bibiana Colares Figueiredo e assessores. Pela representação dos funcionários do BNB, participaram: o coordenador da CNFBNB, Robson Araújo; Lusemir Carvalho, Sindicato dos Bancários do Piauí; Carmen Araújo e Océlio da Silveira, Sindicato dos Bancários do Ceará; Fernando Batata, Sindicato dos Bancários de Pernambuco; Iury Filgueira, Sindicato dos Bancários de Alagoas; Waldenir Britto, FEEB BA/SE e Jeane Marques, Sindicato dos Bancários da Bahia.
Próxima Negociação
A terceira rodada de negociação da campanha nacional dos funcionários do BNB deve acontecer no próximo dia 23 de julho, iniciando os debates sobre as cláusulas econômicas e será realizada na sede administrativa do Passaré em Fortaleza.

