SAÚDE MENTAL AGORA É OBRIGAÇÃO: bancos terão que responder por ambientes adoecedores

Nova NR-1 entra em vigor e amplia obrigação das empresas no combate ao adoecimento mental no trabalho. Sindicato alerta para a responsabilidade dos bancos diante da pressão por metas e do crescimento dos afastamentos psicológicos na categoria bancária

 

Passou a valer desde a última terça-feira (26) a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), do Ministério do Trabalho e Emprego, que amplia a responsabilidade das empresas na prevenção de riscos à saúde mental nos ambientes de trabalho. A medida torna obrigatória a identificação, avaliação e combate de fatores que possam provocar sofrimento psicológico e adoecimento entre os trabalhadores.

A nova regra vale para empresas de todos os portes e também para órgãos públicos com trabalhadores contratados pela CLT. Na prática, a norma joga luz sobre uma realidade antiga da categoria bancária: metas abusivas, pressão constante, assédio moral, jornadas exaustivas e ambientes cada vez mais adoecedores.

Os bancários estão entre os trabalhadores mais atingidos por doenças mentais relacionados ao trabalho no Brasil. Levantamentos do INSS e de entidades sindicais apontam crescimento contínuo dos afastamentos por ansiedade, depressão, síndrome do pânico e burnout dentro do setor financeiro. A pressão pelo cumprimento de metas, o medo constante de demissões e a sobrecarga provocada pela redução de quadros transformaram o ambiente bancário em um dos mais nocivos para a saúde mental dos trabalhadores.

O Sindicato acompanha a mudança com atenção e reforça que os bancos precisarão deixar o discurso vazio de lado para enfrentar o problema de verdade.

O presidente do Sindicato, Thyago Miranda, destacou que a atualização da NR-1 representa uma conquista importante para a classe trabalhadora, principalmente para categorias historicamente atingidas pelo adoecimento mental. "Os bancos acumulam lucros bilionários enquanto milhares de trabalhadores seguem adoecendo por causa da pressão diária, do assédio e das metas inalcançáveis. A nova NR-1 deixa claro que saúde mental não pode mais ser tratada como detalhe ou propaganda institucional. Agora existe obrigação concreta de prevenir o adoecimento dentro dos locais de trabalho", afirmou.

Dados da Previdência Social mostram o tamanho da crise. Somente em 2025, mais de 546 mil benefícios por incapacidade temporária foram concedidos em razão de transtornos mentais e comportamentais, o maior número já registrado no país. Em pouco mais de uma década, os afastamentos mais que dobraram.

Nos bancos, o cenário é ainda mais alarmante. Estudos apontam que o adoecimento psicológico já figura entre as principais causas de afastamento da categoria. Além das metas abusivas e do assédio moral, os trabalhadores convivem diariamente com cobrança permanente por resultados, falta de pessoal, insegurança profissional e pressão tecnológica que empurra o bancário para um ritmo cada vez mais desumano.

Para o diretor de Saúde do Sindicato, José Marconde, a mudança precisa sair do papel e atingir diretamente a organização do trabalho dentro das empresas. "A norma não pode servir como instrumento de vigilância sobre a vida privada dos trabalhadores. O que precisa ser combatido são as causas do adoecimento dentro do ambiente laboral. O foco deve estar na eliminação dos riscos, no fim das práticas abusivas e na construção de condições dignas de trabalho", ressaltou.

A nova NR-1 reforça que o adoecimento mental não surge do nada. Ele é consequência direta da forma como o trabalho é organizado. Entre os fatores que passam a exigir atenção das empresas estão o assédio moral e sexual, cobranças excessivas, jornadas prolongadas, falhas de comunicação e a hiperconectividade no teletrabalho.

 

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